terça, 11 de maio de 2021

O Paraíso e a Serpente


O Paraíso e a Serpente
Assista Agora!
Netflix

Na crônica policial francesa, Charles Sobhraj ficou conhecido como o Assassino do Biquíni. Sua trajetória de crimes nos anos 1970 é bizarra, assim como as fugas mirabolantes e a relação estilo Bonnie & Clyde com a comparsa, Marie-Andrée Leclerc. A saga criminosa de Sobhraj é recontada na eletrizante série da Netflix O Paraíso e a Serpente, uma espécie de Prenda-Me se For Capaz sem o estilo bem-humorado do também real Frank Abagnale Jr., interpretado por Leonardo DiCaprio. O pilantra do sucesso dirigido por Steven Spielberg era mestre de disfarces e aplicava milionários golpes financeiros, mas não havia morte no pacote.

A semelhança maior está na dinâmica do jogo de gato e rato. Se o filme de 2002 focava na insana perseguição empreendida pelo agente do FBI vivido por Tom Hanks, em O Paraíso e a Serpente quem assume o papel de investigador é um jovem diplomata da embaixada da Holanda em Bangkok, capital da Tailândia. Seu nome é Herman Knippenberg (Billy Howle, Na Praia de Chesil) e a caçada começa quando a polícia encontra os corpos carbonizados de um casal de holandeses que estava desaparecido. O patologista aponta os métodos cruéis do assassinato e afirma que os jovens ainda estavam vivos quando o fogo foi ateado.

Os rastros levam Knippenberg até um tal Alain e sua esposa Monique, nomes falsos usados pelos vigaristas, que posavam de comerciantes de pedras preciosas. Com a ajuda de um comparsa, o indiano Ajay, eles atraiam hippies para festas e ali escolhiam incautos para drogar, roubar e, algumas vezes, assassinar e usar seus passaportes para forjar novas identidades. Interpretado com brilhantismo por Tahar Rahim (série The Eddy), Charles Sobhraj forma uma trinca sedutora e apavorante com Marie-Andrée (Jenna Coleman, Como Eu Era Antes de Você) e Ajay (Amesh Edireweera).

Os 8 episódios têm ritmo pulsante, embora o constante vai e vem temporal incomode. Mas são os flashbacks que ajudam a traçar o perfil do monstro, filho de um indiano e uma vietnamita, criado pelo padrasto francês e revoltado contra o preconceito por ser mestiço. A xenofobia está no pano de fundo da narrativa, que refaz o trajeto de Sobhraj pela Trilha Hippie, uma rota turística entre a Europa e o Leste Asiático, por onde a geração “paz e amor” se aventurava de mochila nas costas. Em tensão crescente, a trama contrapõe as falcatruas, peripécias e malvadezas do vilão ao drama do diplomata holandês, cuja obsessão em coletar provas suficientes para prendê-lo afeta sua carreira e casamento. O elenco é todo excelente e O Paraíso e a Serpente ainda capricha na reconstituição da Ásia nos finalmentes da Guerra do Vietnã.




Trailer

Ficha Técnica

Título: O Paraíso e a Serpente/The Serpent
Direção: Hans Herbots, Tom Shankland
Duração: 58 minutos

País de Produção/Ano: Reino Unido, 2021
Elenco: Tahar Rahim, Billy Howle, Jenna Coleman, Ellie Bamber, Mathilde Warnier, Tim McInnerny, Amesh Edireweera
Distribuição: Netflix

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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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