quarta, 17 de agosto de 2022
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Thor: Amor e Trovão - Gostei X Não Gostei


Thor: Amor e Trovão - Gostei X Não Gostei

Thor estreou no Universo Cinematográfico Marvel (MCU) em 2011, com toda a pompa e circunstância. Sob a batuta do shakespeariano Kenneth Branagh, a história de origem do Deus do Trovão ganhou ares de tragédia grega. Na pele do robusto Chris Hemsworth, ele surgiu como um herói arrogante e imaturo, indigno do martelo Mjolnir e banido de Asgard pelo próprio pai, Odin (Anthony Hopkins). O humor era irônico e a cargo de seu nefasto e invejoso irmão Loki (Tom Hiddleston). Como o título bem diz, a continuação Thor: O Mundo Sombrio (2013) manteve o clima soturno, mesmo com Alan Taylor no lugar de Branagh. A bilheteria mundial respondeu forte, com US$ 644 milhões ante os US$ 449 milhões do original.

Se estava tudo bem, por que a virada radical no estilo da saga com a entrada de Taika Waititi (Jojo Rabbit) no comando de Thor: Ragnarok (2017)? Egresso do cinema independente e com irreverência na veia, o neozelandês transformou a guerra contra o apocalipse de Asgard em um psicodélica ópera rock pop. Hulk (Mark Ruffalo) marcou presença e Cate Blanchett reinou absoluta como a Deusa da Morte, a maligna maninha de Thor e Loki. O público entrou na dança e o filme arrecadou mais de US$ 850 milhões pelo mundo. O tilintar das verdinhas deu a Waititi o sinal verde para assinar também o roteiro da quarta aventura. Thor: Amor e Trovão é insano, isso ninguém discute, mas nem todos embarcaram nas extravagâncias do cineasta. Para dar voz a lovers e haters, veja a seguir duas críticas com opiniões opostas.


Comédia Ação
Thor: Amor e Trovão - Não Gostei

Thor: Amor e Trovão - Não Gostei

POR ROBERTO CUNHA 

Não é de hoje que alguns filmes da Marvel, para muitas pessoas, têm dado uma sensação de mais do mesmo. Antes que o fã mais apressado inicie as marteladas, é inegável o sucesso e a evolução na arrecadação (US$ 1,948 bi) com os três títulos anteriores do personagem. No entanto, para quem continua com a sensação de mesmice, redundâncias à parte, nada mudou. Thor: Amor e Trovão chega com grande potencial de agradar fãs ardorosos e desagradar a turma citada no início do texto. E motivos não faltam. Caso seja fã de carteirinha, atreva-se a continuar lendo e use seu Rompe-Tormentas ou Mjolnir contra o autor dessas linhas.

Meio desconectado dos tempos de batalha, Thor (Chris Hemsworth) tem seu momento paz e amor interrompido. Gorr (Christian Bale), o Carniceiro dos Deuses, abalado em sua fé, quer concluir sua missão e acabar com todos aqueles que inspiram alguma devoção nas pessoas. Quando crianças de Asgard são sequestradas por ele, como forma de provocação, não há outra saída senão enfrentá-lo. Para isso, o Deus do Trovão irá contar com a ajuda, entre outros, de Valquíria (Tessa Thompson) e sua antiga amada Jane Foster (Natalie Portman) em momento pra lá de poderosa.

Thor: Amor e Trovão - Não Gostei

Vigésimo nono (!) filme do Universo Cinematográfico Marvel (MCU em inglês), Thor: Love and Thunder (no original) tem roteiro e direção de Taika Waititi. O cineasta neozelandês fez ótimo trabalho com o polêmico Jojo Rabbit (2019), mas com o “carnavalesco” Thor: Ragnarok (2017) os sinais eram claros do que estava por vir. Para o público que se satisfaz com cenas de ação, efeitos especiais e piadas mil, o longa tem momentos de sobra. Por outro lado, vai faltar muito ao espectador que busca um filme menos forçado, como tantos outros do mesmo universo.

Waititi realizou uma obra coerente com sua pegada debochada. Nada contra o bom humor e o sarcasmo, mas ele carregou demais na tinta. O resultado é uma produção exagerada em todos os sentidos, a ponto de se perder por completo. Entre bodes escandalosos (chatos e repetitivos) e tantas outras porralouquices, como um Zeus (Russel Crowe!) ridículo, o desprezo com a (boa) interpretação de Bale para o vilão - numa história de super-herói (!) - é revelador. Assim, apagado, ele se junta ao próprio Thor em uma obra caricata, parece, mais preocupada em ficar na moda dos empoderamentos do que fazer jus ao universo original. Após cansativos quase 120 minutos de tormenta, o fim é uma deliciosa bonança. 




Trailer

Ficha Técnica

Título: Thor: Amor e Trovão - Não Gostei
Direção: Taika Waititi
Duração: 119 minutos

País de Produção/Ano: EUA/Austrália, 2022
Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tessa Thompson, Christian Bale, Chris Pratt, Russell Crowe
Distribuição: Marvel Studios


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Ação Comédia
Thor: Amor e Trovão - Gostei

Thor: Amor e Trovão - Gostei

POR SUZANA UCHÔA ITIBERÊ

Depois de bagunçar o coreto com Thor: Ragnarok, Taika Waititi atinge outro nível de excentricidade em Thor: Amor e Trovão. Eu embarquei na espalhafatosa aventura. É preciso manter a mente aberta para este Thor pouco divino e muito mundano, cuja errante trajetória é resumida em um histriônico flashback. Do problemático jovem deus em busca da própria dignidade, passando pelo herói implacável até o gorducho desmotivado, Thor volta às telas no estilo guru de bem-estar. A pacata vidinha é interrompida, porém, por chamados de socorro.

Um assassino galáctico conhecido como Gorr, o Carniceiro dos Deuses, está em uma cruzada pessoal pela extinção de todos os deuses do universo. Ele tem seus motivos e esse trágico personagem interpretado vigorosamente por Christian Bale é tão intenso que destoa do clima de avacalhação geral. Eis que o vilão invade a nova Asgard, que mais parece um parque turístico, e sequestra todas as crianças para atrair Thor para a morte. O herói forma time com Valquíria (Tessa Thompson), Korg (na voz de Taika Waititi) e a ex-namorada Jane Foster (Natalie Portman), que o surpreende ao aparecer bombada e de posse do Mjolnir, como a Poderosa Thor. Um triste segredo de amada justifica a transformação e garante cenas de emoção.

Thor: Amor e Trovão - Gostei

Waititi faz piada com praticamente tudo. Thor ganha duas cabras que gritam loucamente, e ainda é o vértice de um estapafúrdio “triângulo bromance” com o martelo Rompe-Tormentas e o Mjolnir. A ausência de Loki é sentida, mas compensada por participações pra lá de especiais de astros que se entregam sem pudor às travessuras do cineasta. A versão depravada de Zeus (Russell Crowe) é de um escracho no mínimo herético – faz lembrar o Hitler bufão e quase simpático de Jojo Rabbit. Waititi sabe muito bem que entrou em campo minado, mas sua convicção deve servir de escudo para os críticos mais ásperos.

Não há nada especialmente original no enredo de Amor e Trovão. A ousadia está no entorno. O produtor Kevin Feige fez bem em bater o martelo para o circense espetáculo visual e a ação incessante, embalada por uma trilha sonora nostálgica e dançante, com destaque para a guitarra deliciosamente histérica do Guns N’ Roses em “Sweet Child O’Mine”. Ainda é cedo para decretar o sucesso ou fracasso da aposta da Marvel, mas os primeiros números são animadores. Quatro dias depois da estreia, Thor: Amor e Trovão já está perto dos US$ 150 milhões na bilheteria mundial.




Trailer

Ficha Técnica

Título: Thor: Amor e Trovão - Gostei
Direção: Taika Waititi
Duração: 119 minutos

País de Produção/Ano: EUA/Austrália, 2022
Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tessa Thompson, Christian Bale, Chris Pratt, Russell Crowe
Distribuição: Marvel Studios


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Suzana Uchôa Itiberê

Suzana Uchôa Itiberê

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Cinéfila incorrigível, jornalista de plantão, crítica de cinema (não muito) chatinha e editora caprichosa. Cria do jornal O Estado de S. Paulo, trabalhou nas revistas TVA, Set, Istoé Gente e foi cofundadora da revista Preview. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

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